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Palestra sobre potencial do uso do bambu reúne estudantes e agricultores no IFSULDEMINAS - Campus Machado.

IMG 2488Há alguns anos, em diversas regiões do mundo, o bambu era considerado uma praga que asfixiava a mata nativa. Uma espécie de erva daninha que só trazia prejuízos ao solo e a qualquer cultivo. Mas, a partir da experiência bem-sucedida de alguns países como a China e Colômbia, essa ideia vem sendo combatida por alguns pesquisadores e entusiastas do bambu. O assunto foi tema de uma palestra promovida pelo IFSULDEMINAS – Campus Machado na noite de ontem, 09 de abril, no anfiteatro do Espaço Sociocultural da unidade.

Mais de 100 pessoas, entre agricultores da região e estudantes dos cursos de Ciências Biológicas e Engenharia Agronômica, puderam conhecer um pouco das aplicações da planta, além de seu potencial econômico. João Nunes, consultor, produtor e empresário, e a pesquisadora Dra. Juliana Cortez, atual vice-diretora do Campus Itapeva, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), compartilharam um pouco de suas experiências, apresentando as potencialidades do bambu na agropecuária, construção civil e na alimentação.

Segundo a pesquisadora, hoje, a matéria-prima vale dinheiro e suas mais de 6 mil aplicações oferecem um mercado em ascensão. A professora é arquiteta e desenvolve pesquisas sobre a tecnologia da madeira e do bambu, além de coordenar o projeto “Cultivo e transformação do bambu como alternativa sustentável para a geração de renda na agricultura familiar”. Contou que, em suas viagens à China, aprendeu bastante, principalmente sobre a viabilidade econômica do cultivo. “Muitas regiões pobres do país foram recuperadas por ele. A rapidez de crescimento faz com que seja uma possibilidade interessante para a geração de renda”, comentou.

Bambuzeiros e cobras

IMG 2576“Quando me perguntam se bambu dá cobra, respondo que não. Bambu dá bambu; se a cobra gosta de morar no bambuzeiro é outra coisa”, brincou o consultor João Nunes. Para ele, a matéria-prima é uma paixão que se transformou em negócio. Natural de Monte Santo de Minas, recordou a infância quando tinha medo da “praga”, como era considerada a planta.

Uma viagem à China no ano passado só fez crescer o entusiamo. João realiza palestras no Brasil e no exterior, incentivando o cultivo e as aplicações da matéria-prima, que tem nos chineses os consumidores potenciais. Conforme explica, o país não consegue atender a própria demanda. “Há grande consumo do broto, mas a colheita é realizada apenas na primavera. No Brasil, há solo propício para o plantio de várias espécies e possibilidades de colheita em outros períodos. O que precisamos é difundir o manejo e o beneficiamento para garantir um produto de qualidade”. O consultor quer desmitificar a ideia, ainda muito comum entre os brasileiros, de que o bambu é uma praga, e difundir o potencial econômico descoberto pela China.

Entre as principais possibilidades do uso na construção, os palestrantes apresentaram a substituição de materiais como concreto, madeiras, gesso, plástico, pisos, laminados, entre outros. “Na alimentação há cada vez mais procura pelo broto. Outra possibilidade pouco conhecida é o carvão de bambu”, garante a pesquisadora.

Rubens Cotrim, agricultor machadense, pesquisa sobre o cultivo há quatro anos. Ele tem interesse em investir na diversificação das espécies, mas entende que o plantio demanda um manejo adequado para sucesso da empreitada. “Já sabia que o bambu tem uma durabilidade muito boa para aplicação na construção, porém, tem que fazer os procedimentos corretos. Quero aprender para realizar o beneficiamento adequado dos quatro alqueires que cultivo”, falou.

O professor do Campus Machado, Ivan Caixeta, chamou a atenção para a necessidade de inovar. “Nossa região é montanhosa dificultando o processo de mecanização. Precisamos buscar alternativas viáveis, pois o bambu mostra um potencial interessante para inovação”. Fez questão de mencionar a presença do pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFSULDEMINAS para ajudar na busca por soluções tecnológicas.

José Luís, que representou o reitor Marcelo Bregagnoli, agradeceu a oportunidade e colocou a Pró-Reitoria à disposição. Ressaltou a importância de promover momentos como esse, levando conhecimento aos estudantes e à comunidade. Também esteve presente o coordernador-geral de Ensino, Luciano Pereira Carvalho, representando o diretor-geral, Carlos Henrique Rodrigues Reinato.

Ao final da palestra, os pesquisadores responderam às perguntas dos participantes e se colocaram à disposição para ajudar os interessados no cultivo.

Saiba mais sobre os palestrantes:

IMG 2523A arquiteta e professora Dra. Juliana Cortez fez seu doutorado em Ciências da Engenharia Ambiental pela USP. É orientadora externa do programa de pós-graduação da Universidade Federal da Bahia e professora assistente da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Tem experiência em Arquitetura e Urbanismo, ênfase em Tecnologia da madeira e bambu, atuando principalmente com habitação e sistema construtivo em madeira e bambu, desenvolvimento sustentável no ambiente construído e desenvolvimento industrial moveleiro em madeira e bambu.

É tutora do Programa de Educação Tutorial PET LIGNO.

Coordena, atualmente, o projeto "Cultivo e transformação do bambu como alternativa sustentável para geração de renda na agricultura familiar”, financiado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Secretaria de Inclusão Social. Em função deste projeto foi convidada, em 2017, a participar do treinamento "Technical training of bamboo shoot processing, na China Academy of Forestry, CAF e indústrias de grande porte, na China, financiado pelo, Ministry of Commerce People's Republic of China.

Senhor João Nunes é produtor, consultor e empresário. Iniciou suas atividades com bambu como autodidata. Aprofundou seus conhecimentos descobrindo novas possibilidades e vantagens para a aplicação do material.

Entre seus mestres estão o colombiano Oscar Hidalgo Lopes e os brasileiros Prof. Dr. Antônio Ludovico Beraldo, da Unicamp; e Prof. Dr. Marco Antônio Pereira, da Unesp Bauru; além da arquiteta Celina Llerena e Robert Norris Zunn.

As atividades de Nunes não se restringem aos cursos, produção e administração dos negócios. Ele se dedica, também, à pesquisa de mais de cem espécies de bambu cultivadas em seu sítio. Desenvolve processos de tratamento da matéria prima e tecnologia apropriada para a manipulação do produto.

A proposta é substituir a madeira, plásticos, metais e vários outros elementos na construção civil pelo bambu.

Texto e fotos: Ascom Reitoria

comunica.machado@ifsuldeminas.edu.br

10/04/2018

 

 

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